segunda-feira, 9 de maio de 2011

Arco Metropolitano ameaça clube de golfe popular em Japeri

O Japeri Golfe Clube, um dos raros campos públicos do esporte no país, está ameaçado de fechar por causa da obra viária do arco metropolitano do Rio.


A empresa Concremat preparou um traçado para a rodovia Arco Metropolitano na Baixada Fluminense que destrói boa parte do Japeri Golf Links, primeiro campo público do Brasil que teve o apoio para a sua construção da entidade máxima do golfe mundial R&A. Vicky Whyte, presidente da Federação de Golfe do Estado do Rio de Janeiro, pleiteou perante a Direção de Desapropriações do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) e a Concrematuma pequena mudança do projeto original que evitaria a destruição de parte do campo e o assoreamento de um rio do local. A petição enviada há várias semanas não teve resposta até a publicação desta coluna.


A proposta de Vicky Whyte é de deslocar a demarcação da rodovia cerca de 100 metros para o norte, que evitaria o corte de metade do campo, poupando assim grandes áreas já trabalhadas com terraplanagem, plantio de grama e de diversas espécies nativas, assoreamento de rio com construção de lagos com criação de peixes e plantas aquáticas, toda a irrigação da referida área, bem como algumas espécies da fauna que naturalmente habitam o local. Ao fazer este deslocamento a rodovia “continuará a passar por um vale também de propriedade do campo público de Japeri, diminuindo os custos tanto da obra quanto da desapropriação” segundo a comunicação da presidente da FGERJ.


Japeri foi indicado pela máxima autoridade do golfe mundial R&A como modelo internacional de integração social com golfe. R&A contribui inclusive com recursos para a construção do campo localizado na comunidade de Japeri, próxima a Via Dutra que conecta Rio de Janeiro a São Paulo.


A Escola de Golfe de Japeri atende a 85 jovens entre 8 e 18 anos de famílias de baixa renda que obrigatoriamente estudam em escolas municipais ou estaduais da região, e que tem no golfe uma perspectiva de integração e cidadania. As crianças recebem instrução de golfe, participam de jogos no campo, alem de aulas de etiqueta, comportamento e regras. A Associação de Golfe Publico de Japeri disponibiliza bolas, tacos, sapatos, luvas, uniformes e lanches.


Concremat no seu site afirma manter uma “atuação ética e responsável com a sociedade, meio ambiente e colaboradores” e de contar com “capacidade diferenciada de encontrar soluções”. O golfe brasileiro confia na concreta aplicação dos enunciados da empresa quando avance a projeto da obra na área de primeira escola pública de golfe do país.


Durante os dias da realização do recente Masters 2008 tivemos a oportunidade de conversar com Jose “Pinduca” Gonzalez, o jogador brasileiro que participou do Masters de Augusta em 1962. Foi como amador e passou o corte classificatório, desempenho que hoje rende U$35 mil a cada um dos profissionais. “O golfe era muito diferente” diz o mestre Gonzalez que aos 70 anos leciona golf, junto ao professor Miguel Cavalieri, na Golf School, na Avenida Guido Caloi, em Santo Amaro, São Paulo.


Após a equilibrada disputa da segunda etapa do campeonato do Vista Verde, no final de semana se realiza em São Carlos o I Torneio de Duplas do Damha Golf Club, com a organização da Golf Travel e o apoio do Íbis Hotel. Uma serie de grandes torneios que celebram o centenário da imigração japonesa se inicia no país. Sempre será pouco para celebrar a gigantesca contribuição da colônia ao golfe brasileiro.

O texto acima é de responsabilidade do colunista e não necessariamente expressa a opinião da Federação Norte de Golfe.

Guillermo Piernes é escritor, consultor corporativo e palestrante de golfe. Escreve para a Gazeta Mercantil, Revista Golf Digest e outros importantes meios de comunicação do Brasil. Autor dos Livros Liderança e Golfe e Tacadas de Vida. Guilherme é colunista da FNG.
Fonte: Federação Norte de Golfe

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